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Perguntas para pesquisa de satisfação: escolha pelo objetivo, não pelo que soa bem

A maioria das perguntas para pesquisa de satisfação falha por um motivo só: foram escolhidas porque pareciam boas, não porque respondiam a uma decisão. Aqui elas estão organizadas pelo que você quer descobrir — e com a redação que evita as armadilhas que estragam o dado antes mesmo de ele existir.

Comece pela decisão, não pela pergunta

Antes de escrever qualquer coisa, responda: o que eu vou fazer de diferente dependendo do resultado? Se não houver resposta, a pergunta não deveria estar no questionário — ela vai gerar um número que ninguém usa e roubar espaço de outra que geraria ação.

Na prática:

  • • Vou decidir escala de pessoal? → pergunte sobre tempo de espera, e segmente por turno.
  • • Vou decidir sortimento ou cardápio? → pergunte o que faltou, em campo aberto específico.
  • • Vou decidir treinamento? → pergunte sobre atendimento, com identificação do atendente.
  • • Vou decidir investir em retenção? → pergunte recomendação (NPS).
  • • Não vou decidir nada? → corte a pergunta.

O banco, por objetivo

Para medir lealdade

  • • Em uma escala de 0 a 10, o quanto você recomendaria [empresa] a um amigo ou colega?
  • • Você pretende voltar nos próximos 30 dias?
  • • Se um concorrente abrisse ao lado, o que faria você continuar aqui?

A primeira é o NPS, e é a única que precisa da escala de 0 a 10. A terceira é aberta e vale ouro: ela revela o que te sustenta, que quase nunca é o que a empresa acha que é.

Para achar a causa de uma nota baixa

  • • O que mais pesou na sua avaliação de hoje? (múltipla: preço / espera / atendimento / qualidade / ambiente / outro)
  • • Em que momento a experiência deixou de ser boa?
  • • O que precisaria ter acontecido para você dar a nota máxima?

A terceira é a mais subestimada do banco inteiro. Ela transforma reclamação difusa em requisito concreto — e costuma vir com a solução escrita pelo próprio cliente.

Para avaliar quem atendeu

  • • Quem atendeu você hoje? (múltipla com foto e nome da equipe)
  • • Como você avalia esse atendimento?
  • • A pessoa que atendeu resolveu o que você precisava?

Separe simpatia de resolução: são coisas diferentes, e a segunda é a que importa. Um conselho de quem já viu isso azedar — use a nota individual para reconhecer antes de usar para cobrar, e nunca compare turnos diferentes como se fossem iguais.

Para avaliar produto ou serviço

  • • Como você avalia a qualidade de [item]?
  • • O que você recebeu correspondeu ao que esperava?
  • • Você encontrou o que procurava?
  • • O preço parece justo pelo que você recebeu?

A segunda mede a distância entre promessa e entrega — origem da maior parte das avaliações públicas negativas. A quarta mede valor percebido, que não é a mesma coisa que "achou caro".

Para medir esforço (CES)

  • • O quanto foi fácil resolver o que você precisava hoje?
  • • Você precisou explicar seu problema mais de uma vez?
  • • Quantas vezes você precisou entrar em contato até resolver?

Esforço prevê abandono melhor que satisfação. Cliente satisfeito mas cansado vai embora igual — e essas três perguntas capturam o cansaço, que nenhuma escala de "está satisfeito?" enxerga.

Para segmentar (as que não medem nada)

  • • Qual serviço você usou hoje?
  • • Em que horário você costuma vir?
  • • É sua primeira vez aqui?
  • • Em qual unidade você foi atendido?

Sozinhas não dizem nada — e é exatamente por isso que costumam ser cortadas. Erro: sem elas, a nota é um número sem endereço. Com elas, você descobre que o problema não é "o atendimento", é o atendimento das 19h na loja 2.

Cinco regras de redação que salvam o dado

Um assunto por pergunta

Se tem um "e" no meio, são duas. "Como foi o atendimento e a limpeza?" não tem resposta possível — e o número que sair dali não serve para nenhum dos dois assuntos.

Sem adjetivo dentro da pergunta

"Nosso excelente atendimento" já entregou a resposta esperada. O respondente educado concorda, e você mede a educação dele, não o seu atendimento.

A escala sempre no mesmo sentido

Se em uma pergunta 5 é ótimo, em todas 5 é ótimo. Inverter "para conferir atenção" é técnica de pesquisa acadêmica que, num totem de dez segundos, só produz erro.

Pergunta aberta com endereço

"Comentários" recebe "tudo ótimo". "Qual produto você gostaria de encontrar aqui?" recebe uma lista de compras. A pergunta específica é a que vira decisão.

Fato quando der, opinião quando precisar

"Esperou muito?" é opinião e não dá para cruzar com nada. "Esperou mais de 30 minutos?" é fato — e fato você confere contra a agenda, a escala e o horário.

O que não perguntar

Dado pessoal sem finalidade. CPF, endereço, data de nascimento "para o cadastro". Derruba resposta, derruba sinceridade e cria obrigação de LGPD que você não precisava.
O que você já sabe. Data, hora, unidade e terminal o sistema já registra. Perguntar é gastar a paciência do cliente com o que está no banco.
Coisa que você não vai mudar. Perguntar sobre o horário de funcionamento que é fixo por contrato só gera frustração dos dois lados.
Nota do concorrente. "Como nos comparamos com X?" — a pessoa não tem base para responder e o número não significa nada.
Pergunta jurídica disfarçada. "Você autoriza o uso da sua imagem?" no meio de uma pesquisa de satisfação não é consentimento válido nem pesquisa honesta.
A décima pergunta. Qualquer que seja. Se você chegou nela, corte as duas menos úteis antes.

Quer ver essas perguntas montadas em questionários completos por segmento? Veja os exemplos de pesquisa de satisfação. Se ainda não definiu o processo, comece por como fazer pesquisa de satisfação.

Perguntas frequentes

Qual a melhor pergunta para uma pesquisa de satisfação?

Não existe melhor em abstrato — existe a que responde o que você precisa decidir. Se a decisão é retenção, pergunte recomendação. Se é consertar operação, pergunte o item específico. Escolha a pergunta a partir da decisão.

Escala de 1 a 5 ou de 0 a 10?

De 1 a 5 com carinhas para satisfação no ponto de atendimento; de 0 a 10 só para a pergunta de recomendação, que é a que define promotores e detratores. Misturar as duas na mesma pergunta é o erro mais comum.

Quantas perguntas abertas posso ter?

Uma, no fim, opcional. A segunda quase sempre recebe repetição da primeira. O ganho está em escrevê-la bem: quanto mais específica, mais útil a resposta.

Posso pedir nome e telefone?

Pode, se for opcional e com finalidade declarada — normalmente dar retorno a quem reclamou. Mas custa taxa de resposta e sinceridade, e cria obrigações de LGPD que a pesquisa anônima não teria.

Como não induzir a resposta?

Tire os adjetivos da pergunta e nunca junte dois assuntos com "e". Pergunta neutra e de assunto único é metade do trabalho de uma boa pesquisa.

Monte a pesquisa com estas perguntas

Carinhas, estrelas, NPS, múltipla escolha, matriz e texto livre — com condicionais, para a pergunta certa aparecer só para quem faz sentido.